segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Carta de Thây aos monásticos em Prajña e a todos nós

“Thây não está preocupado com vocês, mas isto não quer dizer que Thây não está prestando atenção a vocês.
Thây não está preocupado com vocês porque Thây confia em vocês.
Thây confia que vocês podem agir em circunstâncias difíceis e desafiadoras sendo verdadeiros com o Darma.
E vocês já demonstraram que podem fazer isto. E por causa disto, a confiança de Thây em vocês tem aumentado rapidamente. Isto traz muita felicidade tanto para Thây como para vocês.”


Sitting Still Hut, [Cabana Sentar-se em Quietude], Upper Hamlet [Aldeia do Alto], Plum Village [Aldeia das Ameixeiras], 20 de julho de 2009


Sentando-se imóvel, inabalável.


Aos meus alunos em Bat Nha, Tu Hieu e em toda parte,


Thây está sentado na cabana “Sentar-se em quietude”, Upper Hamlet, [Aldeia do Alto], em Plum Village [Aldeia das Ameixeiras], enquanto escreve esta carta para vocês. O retiro de verão na Aldeia das Ameixeiras está muito alegre e pacífico. Há dificuldades econômicas no mundo, mas o número de pessoas que tem chegado aqui nestas quatro semanas ainda é muito grande, e talvez seja ainda maior do que nos anos anteriores. Há muitas crianças, e os adolescentes com idade entre 13 e 18 anos também são numerosos. O número de moças e rapazes dos 18 aos 25 anos também é muito elevado. Cada faixa etária pratica junta, discutindo o Darma e jantando juntos, e partilhando uns com os outros suas experiências com as práticas pela construção da irmandade. O movimento “Wake up” [Acorde] para os jovens amigos ocidentais também está crescendo rapidamente. Vocês já viram as camisetas do “Wake Up”? Há muitos jovens que vêm à Plum Village anualmente e eles estão acostumados ao modo de vida e prática em Plum Village, de forma que são capazes de ajudar àqueles que vêm pela primeira vez. Na manhã do dia 16 de julho de 2009, em New Hamlet [Nova Aldeia], o Irmão Pháp Trien expôs o relógio de pulso projetado pelos nossos jovens monges na Aldeia do Alto com a caligrafia de Thây: “a hora é agora”. Toda vez que levantamos o pulso para olhar o relógio, ele nos dirá que este é o momento presente. Existe um modelo para os homens e um modelo para as mulheres. Naquele mesmo dia, 150 pessoas vieram à lojinha comprar o relógio. Um praticante laico estalou a língua e disse: “Esta idéia é realmente brilhante!” Nós o batizamos de “o relógio do momento presente.” O Irmão Pháp Trien era um dos dois jovens monges que ajudaram Thây a desenhar este relógio. O outro foi o Irmão Pháp Chieu, que também é muito jovem, e receberá a “transmissão da lamparina” no final deste ano! Este relógio foi confeccionado nos Estados Unidos.


Cerca de, no máximo, 800 amigos laicos, vieram na terceira semana do Retiro de Verão representando cerca de 50 países do mundo. Incluindo os moradores permanentes, neste exato momento, nós temos cerca de mil pessoas juntando as quatro aldeias. No entanto está muito calmo e cheio de paz. Todo mundo está feliz caminhando em meditação no morro ao lado da Nova Aldeia, na floresta da Aldeia de Baixo, e sentando-se para meditar sob os pinheiros da Aldeia do Alto, olhando em direção da montanha da Aldeia de Baixo. A Terra Pura deixa de ser uma noção; ela se transforma numa realidade durante estas sessões de meditação sentada ou caminhando. As crianças como também os adultos são capazes de habitar o momento presente.


Ontem enquanto dava uma palestra de Darma, Thây viu uma mãe ouvindo a palestra e, ao mesmo tempo, dando de mamar ao filho; tanto a mãe quanto o filho estavam visivelmente felizes. Na cultura asiática ainda não é permitido que uma mãe escute uma palestra de Darma enquanto dar de mamar ao filho, pois as pessoas pensarão que isto não é uma expressão suficientemente respeitosa para com o Darma. Mas Thây acredita que isto é um ambiente para o Budismo Aplicado – a criança, enquanto recebe o nutritivo leite materno para o corpo dela, também pode se beneficiar da atmosfera calma e pacífica do salão de meditação como um alimento espiritual. Para Thây, esta é uma bela imagem. Não sabemos se o nosso irmão ou irmã que faz as gravações em vídeo teve a chance, ou não, de gravar isto. Durante as quatro semanas, embora os praticantes monásticos e veteranos tivessem que investir muito tempo e energia-mental guiando e cuidando dos nossos amigos laicos, todos nós nos sentimos felizes com a felicidade dos amigos laicos. A transformação e alegria de nossos amigos laicos são as substâncias que nutrem a felicidade de nossos moradores permanentes. Ter a oportunidade de levar felicidade aos outros é a aspiração dos praticantes espirituais, e nós, professores e alunos, temos esta oportunidade em Plum Village, Deer Park, Blue Cliff e em todos os outros lugares. Thây prevê claramente que no futuro, todo país deve ter muitos centros de prática como Plum Village para acomodar a necessidade crescente das pessoas praticarem. Os professores do Darma que estamos treinando terão no futuro a responsabilidade de estabelecer centros de práticas como estes em todos os lugares. Nosso objetivo não é transmitir ensinamentos; tampouco é obter mais seguidores Budistas. Nosso objetivo é estabelecer ambientes de prática, para que todos tenham uma chance de vir e praticar, transformando os seus sofrimentos e aprendendo a viver com mais alegria. Nós nunca quisemos que os praticantes laicos negassem suas raízes espirituais e culturais. Pelo contrário, nós sempre os encorajamos a retornar ao córrego límpido das tradições deles.


“Preocupando-se continuamente numa direção e noutra”


Nós estivemos aprendendo muito com o que veio acontecendo no Mosteiro Prajña nos últimos meses. Nas últimas semanas, Thây recebeu muitas cartas daqueles que estão no Prajña. Vocês me contaram muitas estórias, mas não existe uma carta que não contenha a frase: “Querido Thây, por favor, não se preocupe conosco.” Esta sua afirmação significa: “Querido Thây, não estamos preocupados conosco, mas nos preocupamos que você se preocupe conosco! Se Thây se preocupar, adoecerá e estragará tudo. Portanto, Thây está escrevendo esta carta para vocês saberem que Thay não está preocupado com vocês, então não se preocupem com Thây. Não se preocupem continuamente numa direção e noutra. Cada lado precisa apenas agir com beleza, fazendo a sua parte, e isto é suficiente! Esta mensagem está clara, meus queridos filhos e filhas?


Thây não está preocupado com vocês, mas isto não significa que Thây não está prestando atenção a vocês. Thây presta atenção em vocês todo dia, toda hora, e todo minuto. Thây não está preocupado com vocês porque Thây confia em vocês. Thây confia que vocês podem agir em circunstâncias difíceis e desafiadoras sendo verdadeiros com o Darma. E vocês já demonstraram que são capazes disto. E por causa disto, a confiança de Thây em vocês vem aumentando rapidamente. Isto traz muita felicidade tanto para Thây como para vocês.


Antigamente, o nosso Professor Avô Thanh Quy [o professor raiz de Thây] nunca disse a Thây que o amava ou que tinha confiança nele. Este era o estilo da geração mais velha. Eles acreditavam que se expressassem o amor deles perderiam alguma santidade. Mas Thây podia sentir o amor e confiança do seu Professor Avô, e Thây era muito feliz. Não há felicidade maior para um discípulo ou uma discípula do que saber que o professor o ama ou a ama e tem confiança nele ou nela. Durante toda sua vida de prática, Thây foi nutrido por aquele amor e confiança silenciosos do Professor Avô. E Thây acredita que o Professor Avô também tinha muita felicidade quando tinha discípulos a quem podia entregar todo o seu amor e confiança. Thây é alguém muito feliz, porque Thây confia em vocês. Ter confiança em vocês significa ter confiança no futuro. Suponhamos que não temos confiança no futuro – seria possível então poder viver alegremente?


Thây confia que vocês têm capacidade suficiente para compreender, amar e responder com não-violência. Se conseguirmos manter a nossa bondade amorosa e compaixão e responder a qualquer situação difícil com bondade amorosa e compaixão, estaremos assim protegidos por uma energia benfazeja. Esta é a energia das Três Jóias. Não há proteção que seja tão estável e segura quanto à energia das Três Jóias, da compreensão e compaixão. No dia em que Thây recebeu as notícias de que as pessoas invadiram a Floresta Fragrante de Palmeiras, a residência monástica de vocês, jogando fora seus pertences, empurrando quem quer que esteja no caminho, e indo ao terceiro andar para encontrar todos vocês praticando a meditação sentada, invocando Avalokiteshvara, o Bodisatva da escuta profunda na postura inabalável, não tentando reagir ou revidar, Thây soube que vocês são capazes de por em prática o que ele tem esperança, e não há mais motivo para Thây ficar preocupado com vocês.


Thây não está preocupado com vocês, mas muitas pessoas têm se preocupado com vocês – gente dentro do país e ao redor do mundo; o povo vietnamita como também os amigos internacionais; budistas e não budistas. Não só os seus pais e familiares estão preocupados, mas as sangas quádruplas, responsáveis ou não da Igreja Budista, também estão preocupados com vocês. Os seus irmãos monásticos mais velhos e mais jovens em todas as partes do país e fora do país também estão preocupados com vocês. E como vocês, todos também estão preocupados com Thây. Eles estão preocupados que Thây esteja preocupado. E se Thây estiver preocupado, adoecerá. Bem, aqui em Plum Village os seus irmãos e irmãs monásticos todos pensavam que Thây estivesse muito preocupado com vocês, especialmente durante os dias mais quentes. Durante àqueles dias, Thây praticou freqüentemente a meditação sentada ou meditação caminhando para enviar energia extra para vocês. Foi em um dos dias mais intensos que todos os monásticos das quatro aldeias vieram ao eremitério de Thây para participar do Dia Monástico. Vendo que Thây estava sentado próximo ao córrego Phuong Khe, com a aparência bem disposta sem preocupações, eles ficaram todos surpresos e orgulhosos. Acabou que todos estavam preocupados com vocês e com Thây. Pobrezinhos! Thây soube naquela mesma noite que tinha uma grande tempestade no Prajña. Todos ficaram felizes. Com aquela chuva e tempestade, as pessoas não teriam chance de chegar para atormentar vocês. Com a chuva forte daquele jeito, pelo menos vocês poderiam coletar alguma água para que pudessem resistir durante o dia. Um amigo próximo disse a Thây que ele telefonou ao Prajña em um destes dias quentes, e pode escutar os risos dos jovens monges e monjas; isto o fez se sentir tranqüilo. Thây acredita que se não houvesse irmandade, se não soubéssemos qual a nossa direção e forma de agir em situações difíceis; e se não tivéssemos fé no caminho do amor, não teríamos como manter aquele sorriso e aquela alegria de viver.


As dificuldades acontecendo ao Prajña não só aumenta a confiança de Thây nele e em vocês, como também abrem os olhos de muita gente. É graças a estas dificuldades que a verdade é lentamente revelada. As pessoas querem sempre dizer que o que acontece no Prajña é uma questão interna, pequena, não digna de ser reportada como notícia, não digna de atenção das pessoas dentro e fora do país. Todos nós sabíamos desde o começo que isto não tinha a ver com luta interna sobre um templo, mas era o resultado de uma delusão: a de que a presença do Prajña poderia ser uma ameaça à segurança nacional, porque os monásticos no Prajña, ou seja, vocês são pessoas que querem fazer política. Não é verdade que um canal de televisão em Lam Dong sugeriu esta teoria duas vezes? Tinha alguém telefonando para encontrar meios de ajudar Prajña e disseram àquela pessoa: “Esta é uma questão de segurança nacional, e você não deveria se envolver nisso.” O que tem acontecido ao Prajña demonstra que aquelas fabricações são totalmente incorretas. Projetar deste modo, criar coisas deste modo se assemelha muito ao que está dito no sutra sobre desenhar um quadro no ar: sem tela, sem papel para esboçar, ele nunca poderá ser desenhado! Agora todos dentro do país e ao redor do mundo podem ver que os monges e monjas e os aspirantes do Prajña só fazem uma coisa: praticar e guiar os outros à prática. O objetivo dos praticantes é praticar por nós mesmos para transformar e recuperar os valores éticos e culturais que estiveram e estão sendo corroídos vagarosamente, para que nós possamos ajudar a parar a disseminação das aflições sociais, como a violência, o vício de drogas, a prostituição, o suicídio, separação familiar, corrupção e abuso de poder. Ao mesmo tempo, nós podemos ajudar a todos na sociedade a ter uma direção espiritual saudável. Após estas tempestades, todos vêem que vocês são verdadeiros praticantes. Vocês são jovens, mas suas aspirações de ajudar aos outros é muito grande, e a sua confiança na sua ética nacional é inabalável. Vocês não vieram ao Prajña para correr atrás de fama, posição ou terra, mas vocês vieram em busca de um ideal – um ideal de praticar para ajudar a vida. Haviam várias pessoas incitadas a virem ao Prajña para ameaçar vocês e afugentá-los, mas graças às suas respostas amorosas e não-violentas eles compreenderam que vocês são verdadeiros praticantes, que vocês são filhos deles, irmãos e irmãs deles, companheiros espirituais deles. Por isso eles choraram e foram embora. Vocês se lembram daqueles tempos quando as pessoas foram instruídas a atacá-los? Quando eles ouviram as suas invocações do Bodisatva Avalokiteshvara, e muitos deles uniram as palmas e se direcionaram aos seus dormitórios: Nuvens na Montanha, Lareira brilhante e Floresta Fragrante de Palmeiras? Depois daquilo, eles partiram sem se juntar a multidão. Foi por causa dos seus comportamentos compassivos e não-violentos que eles compreenderam que o que eles tinham ouvido dizer estava incorreto; e o que eles tinham testemunhado foram imagens de verdadeiros jovens praticantes. Thây confia que muitos policiais, depois de dias e meses interagindo com vocês, exigindo seus documentos e comprovantes de residências, e tendo testemunhado muitos grupos de pessoas organizadas para virem ao Prajña insultá-los e incitá-los – eles também compreenderam que vocês são verdadeiros praticantes, e que vocês não têm desejo algum de fazer política. Com certeza, existem policiais que voltam para casa e choram sozinhos no escuro, sem compreender porque eles têm que fazer as coisas que eles mesmos não querem realmente fazer, e se perguntando por que a prática pacífica de monges e monjas como esses é perigosa à segurança nacional, como os outros os tinham dito.


Com certeza, o Venerável Duc Nghi também sabe claramente que vocês são verdadeiros monásticos praticantes, conduzindo fielmente os preceitos e condutas da plena consciência. O Mestre Duc Nghi também tem os seus próprios sofrimentos. Por um lado, ele quer realizar as próprias ambições dele. Por outro lado, ele está se sentindo culpado e apreensivo porque tem que se comportar indelicadamente com os seus irmãos e irmãs no caminho. Thây ouviu dizer que não há uma noite que o Mestre Duc Nghi não chore. Quão doloroso é isto! Su Phu Duc Nghi [nossos jovens irmãos e irmãs se referem ao Venerável Abade como “Su Phu”, que significa Professor Pai] disse muitas vezes aos seus irmãos mais velhos que ele recebia muita pressão externa. Os discípulos de Su Phu Duc Nghi também sabem que vocês praticam firmemente os preceitos e maneiras de se comportar da consciência plena, que vocês só querem praticar, e que vocês nunca quiseram se envolver em política ou tomar as posses de outra pessoa. No entanto, como eles estão entrelaçados na maquinaria não conseguem parar. Os Irmãos de Dong [os alunos monásticos do Venerável Duc Nghi] também tiveram os seus próprios sofrimentos, e certamente, eles nem conseguem dormir bem ou comer bem. Thây ouviu dizer que vocês sempre tratam os Irmãos de Dong com respeito, que vocês nunca os criticam ou repreendem, e toda vez que vocês os vêem, junta as palmas das mãos como um lótus para cumprimentá-los. Thây fica muito feliz com isto. Nossa prática básica é não permitir que nossa irmandade seja destruída. Temos que estar preparados para que quando o dia chegar nós possamos facilmente restaurar o nosso relacionamento.


A verdadeira prática não é somente praticar os preceitos e conduta da consciência plena externamente, na forma. Se não soubermos como olhar profundamente, se não praticarmos efetivamente, não podemos cuidar das energias da violência, medo, covardia e ódio dentro de nós. Quando estas energias controlam nossos corpos e mentes, não podemos fingir que estamos calmos e não-violentos. Thây ouviu a estória de um dos nossos jovens noviços, que foi ordenado há menos de um ano, e que tinha sido treinado nas artes marciais. Quando vários rapazes foram ao dormitório de vocês “Mente de Principiante” e jogaram deliberadamente suas camas e pertences do lado de fora, aquele jovem irmão não podia suportar a provocação violenta. Ele pediu permissão ao mentor dele para lidar com aqueles homens. O jovem noviço disse: “Por favor, permita-me deixar de ser um monge. Eu não agüento mais isto. Eu só preciso de quinze minutos para vencer todos estes bandidos. Depois disso, se for preciso, eu vou para a prisão por seis meses, um ano. Quando eu tiver cumprido minha pena, retornarei para ser um monge de novo.” O mentor dele era um jovem Professor do Darma, com 30 anos incompletos, mas ele disse isso a ele: “Querido irmão, não chame estes jovens de bandidos. Eles também são jovens como você, mas eles estão mal informados, por isso se comportam deste jeito. Eles estão pensando que nós somos bandidos que vieram aqui para nos apropriar do prédio e da terra. Eles são vítimas de informação errada, e eles precisam ser ajudados mais do que punidos. Eles não são seus inimigos. Os seus inimigos é a raiva que está lhe controlando. Sente-se aqui e comece a respirar profundamente e longamente. Abrace a raiva dentro de si e olhe profundamente para sua natureza. Se conseguir dominar a raiva dentro de si, você poderá fazer surgir compreensão e amor e se tornará revigorado. No futuro, você será capaz de ajudar aquelas pessoas a compreender que a informação que eles se alimentaram está errada; eles não se comportarão como estão se comportando neste exato momento. Buda fez isto, Thây fez isto e agora você também tem que fazer isto. Sente-se. Sente-se bem aqui e pratique meu querido irmão!” O jovem noviço se sentou para praticar. As primeiras respirações foram audíveis como rumores de um rinoceronte, pesadas e trabalhosas, mas lentamente ele se acalmou e no final, foi capaz de controlar a mente dele. Alguns dias depois ele disse: “Ufa! Se eu não tivesse praticado naquele dia, se eu tivesse usado violência para responder a violência, eu teria destruído o grande exemplo estabelecido por Buda e por Thây, porque Buda e Thây jamais se comportariam daquele jeito.”


Amor, compreensão e não-violência não são tópicos para se falar a respeito. Eles são exercícios para nós olharmos profundamente e praticar. Existem aqueles que têm sido praticantes por 20 ou 30 anos, mas quando eles encontram situações irritantes e provocadoras eles não resistem a suas raivas e medos, e respondem com um comportamento violento. Entre vocês existem aqueles que estiveram praticando por somente três ou quatro anos, e existem aqueles que têm praticado por apenas seis meses, no entanto vocês são capazes de se comportar calmamente porque vocês têm práticas concretas de Darma de reconhecer, abraçar e transformar formações mentais prejudiciais. Como resultado, as pessoas podem ver que vocês são verdadeiros praticantes, e as suas práticas de Darma não são apenas para “iniciantes num nível rudimentar” ou somente “meditação na superfície da pele” – como algumas pessoas estiveram criticando. Estas são práticas de Darma que devemos acreditar cem por cento. Elas são nossas verdades últimas, transmitidas diretamente por Buda no “Sutra sobre a Consciência da Respiração.” Thây vê que muitos veneráveis, com ou sem posições na Igreja Budista, também reconheceram que vocês verdadeiramente amam aprender e praticar, e que vocês abriram mão de fama mundana e de ambição para seguir o caminho de verdadeiros praticantes monásticos. Eles sabem que vocês praticam diligentemente os preceitos e a conduta da consciência plena. Portanto, eles têm tentado lhes proteger o máximo que podem, embora suas capacidades sejam limitadas. Thây relembra que eles escreveram explicitamente em um documento oficial: “O Mosteiro Prajña é um estabelecimento que pertence à Igreja Budista. Qualquer pessoa que pratique devidamente pode continuar morando lá. Qualquer pessoa que se comporte mal e exiba violência, deve ir embora.” Às vezes, em seus escritos oficiais, estes veneráveis lhes patrocinaram de forma que vocês puderam habitar pacificamente sob a proteção deles. E recentemente eles deram ordens para que a conduta violenta parasse e a eletricidade e água fossem re-conectadas para vocês. Sabia que isto já é muito para estes veneráveis fazer? Se a situação não é como eles esperavam que fosse, é porque o poder deles é limitado. Além disso, deve haver outras condições. Uma vez que a verdade seja revelada, condições favoráveis, benéficas se reunirão. Em poucos anos, quando estiver claro que a presença do Mosteiro Prajña não é perigosa de forma alguma à segurança nacional; mas pelo contrário, quando muitos virem que ela ajuda a retificar e recuperar os valores culturais, morais e éticos em prol do nosso país, então aquela noção, aquele medo, aquela suspeição se dissiparão, e nos deixarão em paz para praticar e ajudar os outros.


Vocês sabiam que neste exato momento, em nosso país e ao redor do mundo, todo mundo ficou sabendo sobre o Prajña, e todos estão cientes do que está acontecendo? Todo mundo é capaz de ver suas práticas calmas e não-violentas, e todo mundo está orgulhoso de vocês. A fotografia de vocês sentados em meditação em meio à violência e provocação foi enviada para muita gente, e milhões de pessoas já a viram. Não é diferente de forma alguma da fotografia do Mais Venerável Quang Duc se sacrificando para clamar pela paz em 1963. Nós estamos sendo abraçados e protegidos por muitos amigos espirituais. Thây sabe que os filhos e filhas dele não estão preocupados, porque vocês sabem que Thây não está preocupado. Vocês ai só precisam se sentar muito quietos, tal como Thây e os seus irmãos e irmãs daqui somente precisam se sentar bem quietos, assim com certeza, os trovões se acalmarão e as nuvens se dissiparão. Nossa energia de silêncio é a energia da compreensão e amor. Este é um Silêncio Nobre, e também é um Silêncio Trovejante. Embora, na aparência externa, amanhã, nós, professores e discípulos, poderemos estar em locais separados; nós sempre teremos um ao outro. A semente do diamante está no coração de cada um de vocês, e, no futuro, cada um de vocês se tornará uma Fragrante Folha de Palmeira; cada um de vocês se tornará um Mosteiro Prajña. Haverá centenas de milhares de Mosteiros Prajña em nossa terra natal e no mundo. Está gradualmente se tornando uma realidade, não está; meus filhos e minhas filhas? Nós somos uma Sanga, não somos um estabelecimento. Permita a Thây escrever um poema do Mestre Zen Tinh Quang, que viveu em meados do século 12. Este poema reflete a liberdade e o destemor do Mestre Zen. Quando o lemos, nós também sentimos que o Mestre Zen está falando da nossa própria situação:
Acima, não há telhado para cobrir
Abaixo, não há terra para colocar um poste
A pessoa com uma chibata chega
A pessoa em vestes estranhas retorna
Quando as ações se tocam
É como um dragão lançando-se para alcançar à presa.


Vocês devem se lembrar que “a presa” neste caso é a bola que os dragões – no teto do templo – estão jogando magicamente.


Bem, já é hora de Thây dar uma palestra de Darma. Thây escreverá para vocês mais tarde.


Com amor e confiança,


Thây,


Nhat Hanh

URGENTE! AJUDEM! Monges e monjas empurrados à força para dentro de caminhões


Domingo, 27 de setembro de 2009

 

Querid@s amig@s,

Por favor, orem pelos irmãos e irmãs monásticas do Mosteiro Bat Nha, que, neste exato momento, 27 de setembro de 2009, estão sendo forçados a desocupar o mosteiro.
Por favor, informem a população, as agências de notícias, grupos ligados aos direitos humanos que podem influenciar esta tragédia, especialmente se estiverem no Vietnã neste momento.
Por favor, intervenham de qualquer forma que vocês possam!    

REPORTAGEM AO VIVO (Hora local no Vietnã, 27/09/09)
WWW.PHUSAONLINE está dando informações atualizadas da situação em BatNha.

9h45m
Estamos falando ao telefone com o Mosteiro Bat Nha. A situação no mosteiro é muito urgente e ameaçadora da vida dos monásticos.
No início desta crise atual, os agressores se reuniram as 9h30m e então começaram a destruir a propriedade neste momento.
Policiais em trajes civis estiveram presentes o tempo inteiro, mas fizeram nada para intervir. Parece que eles estão presentes para dirigir o ataque, e os agressores foram alugados para fazer isto?
Os monges estão fazendo meditação sentada no terceiro andar dos seus prédios, enviando energia às pessoas que estão cegas pela ignorância instaladas nos corações delas, estão orando ao Bodisatva da Escuta Profunda para esfriar o fogo da ignorância no coração delas com o néctar da sua compaixão.
Estamos ouvindo muitos estrondos pelo telefone.
Eles estão jogando as almofadas de meditação do lado de fora do prédio.
Tem cerca de 150 pessoas atacando e destruindo propriedades até o Segundo andar da residência dos monges.

10h30m
 Nossa comunicação está tendo dificuldades, mas sabemos disso imediatamente:
A multidão de agressores dizem a comunidade de monásticos que eles têm que desocupar o mosteiro dentro de 2 dias.
Os monges foram forçados a sair dos seus dormitórios; eles ficam em pé do lado de fora, entoando cânticos no corredor.
Dois monges, em mantos de cerimônia, fazem meditação sentada na frente dos quartos deles.
Todos os objetos pessoais e da comunidade foram jogados do lado de fora.

10h50m
A polícia arrastou os Irmãos Pháp Hoi e Pháp Tu para fora (2 monges seniores da comunidade monástica); eles arrastam os monges a força como se fossem animais.
Uma mulher budista leiga está sendo perseguida pela polícia, ela está correndo e chora, gritando “Estamos em perigo, querido professor!”

11h06m
Chove em Bat Nha.  Os monjes têm que permanecer sob a chuva fria.
A polícia está chamando o grande caminhão para vir e transportar os monges para longe.
Todas as estradas do mosteiro estão sendo monitoradas. Amigos leigos tentam vir para ajudar, mas são mandados que voltem à distância.
O número de policiais presentes está aumentando. Eles ocuparam todos os quartos dos monásticos; reuniram todos os monges no campo do lado de fora.
A polícia forçou os monges a carregarem suas mochilas para o lado de fora e esperar pelos caminhões para transportá-los para longe. Não se sabe onde eles estarão indo.
Ainda está calmo no dormitório das irmãs.

11h23m
Um grande caminhão de construção se dirige ao prédio dos monges chamado “Mente de Principiante”.
Os monges estão sentados em círculos sob a chuva fria.
A agressiva multidão continua gritando e amaldiçoando sem parar.
Sinos, livros de Sutras, roupas, objetos pessoais... estão sendo amontoados sob a chuva.

12h02m
Os monges ainda estão sendo forçados a se sentarem no lado de fora na chuva, sem nada para se cobrirem. Ainda chove e está muito frio.
A polícia de trânsito (fardada) controla as estradas que levam ao Mosteiro Bat Nha. Policiais em trajes de civis também estão no local para observar.

12h20m
Eles estão quebrando todas as portas e tentando levar todas as irmãs para fora do prédio. Continua chovendo aqui.
As irmãs se trancam dentro do prédio.
A multidão liderada pela polícia se dirige ao dormitório das irmãs “May Dau Nui” (Nuvens sobre as Montanhas).
4 táxis se dirigem ao portão principal; não se pode dizer quem está dentro.

Mosteiro Bát Nhã, Vietnã, completamente destruído

Segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NOTÍCIA À IMPRENSA



Ontem pela manhã, uma forte multidão de 150 pessoas caiu com força no Mosteiro Prajña, província de Lam Dong, Vietnã. A multidão desapossou violentamente mais de 130 monges, seguidores do Venerável Mestre Zen Thich Nhat Hanh. Sabe-se que policiais em trajes comuns estavam entre os agressores; policiais fardados bloquearam todas as estradas de acesso. Oficiais do governo se recusam a intervir, alegando que nada estava acontecendo no local do mosteiro.

A multidão armada com bastões e martelos esmagou portas e janelas. Os monges, alguns com menos de 18 anos, iniciou a meditação sentada e cântico como forma de resistência pacífica. Eles foram atacados, removidos a força e arrastados para fora de suas residências e colocados na chuva torrencial. Eles foram violentamente amontoados em caminhões e taxis e dirigidos para longe e depois descarregados no lado da estrada. Alguns marcharam até 15 quilômetros de distância longe do mosteiro, sendo sujeitos a chutes e socos se caíssem. Os dois monges seniores foram espancados e presos sem acusação. Neste momento, não se sabe onde um deles, o Irmão Pháp Hoi, está preso.

Depois deste bem sucedido ataque aos monges, a multidão se dirigiu aos dois dormitórios das monjas. As portas foram destruídas e todas as 230 monjas e aspirantes levadas para um prédio. Lá elas ficaram aprisionadas por uma noite, esperando a ameaça de violência no dia seguinte. Sem qualquer alternativa, as monjas e aspirantes, a maioria das quais são jovens moças com menos de 25 anos de idade, abandonaram seus lares para ingressar em um futuro incerto.

O Irmão Trung Hai, que é professor de Darma do Mosteiro Bat Nha, estava na França no momento do ataque. Ele diz:
O Governo Vietnamita e o Comitê Religioso venceram. A vitória deles é que Bát Nhã está completamente destruído. Tudo está esmagado. Todos os monges e monjas foram expulsos do mosteiro e os prédios estão vazios.
Nossos irmãos e irmãs monásticos fizeram as partes deles, isto é, eles responderam verdadeiramente a cada desafio com a não-violência, compaixão e perdão. Sim, eles ganharam.
Agora nós repousamos na consciência do governo e do povo dentro e fora do Vietnã.
Nós não culpamos ninguém. Não temos raiva de ninguém. Sabemos que nossos inimigos não são as pessoas; mas sim a ganância, ódio e ignorância.

ARTIGOS RELACIONADOS:
IMPRENSA ASSOCIADA, 27.09.09: “Buddhists: Police, mob force monks from monastery

ANTECEDENTES:
O Mosteiro Bat Nha era o mosteiro vietnamita mais radical,estava crescendo com maior rapidez e era o mais popular entre a juventude vietnamita. Todos, com exceção de um punhado de monges e monjas ordenadas nos últimos três anos, eram da faixa etária dos 15 aos 25. Bat Nha estava famoso pelos Dias de Consciência Plena que aconteciam mensalmente e atraíam regularmente uma multidão de 800 pessoas, que viajavam até 400 km, em ônibus lotados vindos de grandes cidades como Saigon, Da Nang e Nha Trang. Este mosteiro do alto da montanha, renomado pela sua beleza natural, cascatas e florestas, tornou-se popular quando foi retratado como um santuário espiritual moderno para as jovens heroínas da novela Stepfather [padastro] da rede de televisão nacional.

A última meditação caminhando

Escrito por uma jovem irmã monástica do Mosteiro Bát Nhã

1 de outubro de 2009

No domingo, 27 de setembro de 2009, nós tivemos a oportunidade de praticar a meditação sentada e depois fazer a meditação caminhando juntos ao redor do salão de meditação “Asa de Garuda”. Estava chovendo torrencialmente naquele dia. As vestes monásticas dos meus irmãos e irmãs estavam ensopadas, mas continuamos a andar juntos uns dos outros em paz, e com amor e compreensão. Dentro de mim, a mente de amor e de fé reacendeu brilhantemente.

Nós nunca imaginaríamos que aquela seria a nossa última meditação caminhando naquele adorável pedaço de terra, que era cheio de vida. A atmosfera ainda era pacífica, e todos estavam prontos para a próxima atividade [um Dia de Consciência Plena]. Em nosso curso “O coração dos ensinamentos de Buda”, o tópico sobre os quatro nutrientes iria ser apresentado, mas teve de ser cancelado. Talvez aquela apresentação tenha se tornado a palestra não-verbal de Darma, manifestada através do nosso insight, amor e profunda irmandade.

Às 8h da manhã, todos nós retornamos aos nossos quartos e sentados em nossas camas ficamos esperando. A verdade era que eu não sabia o que eu estava esperando; eu somente pensava que seria a nossa programação rotineira de domingos dos últimos meses. Não tinha tido um domingo sem que tivéssemos ouvido gritos e maldições. Só sabíamos sentar quietos e manter nossas mentes calmas e receptivas.

Às 9h da manhã, nós [irmãs do alojamento Nuvem da Montanha] recebemos as notícias de que o alojamento dos irmãos Fragrante Folha de Palmeira estava sendo atacado. Tudo estava sendo destruído e jogado na chuva. Muitos irmãos mais velhos e mais novos foram arrastados para fora e levados embora…. Estávamos chocadas com as notícias, e não acreditávamos que aquilo pudesse ser verdade. Logo depois disso, eu vi que um irmão mais velho e um jovem noviço estavam correndo em direção ao alojamento Nuvem da Montanha em suas vestes monásticas ensopadas. Eles só tiveram tempo suficiente de trazer com eles os seus Sanghatis [mantos monásticos de cerimônia] enrolados nos ombros...

Às 10h 30m, tivemos permissão de ir pegar comida. Eu estava no grupo da limpeza, por isso fiquei esperando para limpar e guardar as coisas de volta antes de ir comer. Logo que sentei na esteira de palha e peguei a minha tigela da ronda de mendicância, disseram-me que eu deveria pegar minhas coisas imediatamente. Todos nós deveríamos colocar no chão nossas tigelas de mendicância e ir empacotar nossos pertences. Em nossas mentes, só pensávamos em levar conosco nosso Sanghatis, tigelas de mendicância, certificados monásticos, e documentos de identificação. Tudo bem se as pessoas chegassem e levassem o resto de nossos pertences para seus próprios usos. Compreendíamos que elas eram apenas vítimas da pobreza e da luta constante. Elas eram desafortunadas de terem crescido e vivido em ambientes negativos, de forma que facilmente receberam uma “lavagem cerebral” e foram incitadas por informações distorcidas. De fato, elas merecem amor tanto quanto nós merecemos. Somos vítimas da violência. Mas elas são vítimas da ignorância e da falta de reflexão. Apenas 70 ou 100 mil dongs [moeda vietnamita] foram suficientes para alugá-las para fazer algo pernicioso. Quão lamentável isto é! É este o valor de um ser humano? E os dias e meses seguintes, quando elas estiverem sofrendo, atormentadas pelas suas próprias consciências – quem irá pagar o salário delas?

Às 11h 30m, seis homens andaram ao redor do nosso alojamento e bateu à porta das irmãs gritando: “As monjas tem que deixar este lugar. Não nos façam ter raiva e ferir vocês. Se vocês não partirem deste local, terão de sofrer as conseqüências”. Todos nós sentávamos próximas umas das outras calmamente. Ouvíamos os sons das janelas de vidro sendo quebradas e caindo. As pessoas entraram em cada quarto e nos arrebanharam para fora. Elas seguravam longas barras de ferro, que seriam usadas para nos bater se resistíssemos. Uma a uma, andamos para fora do nosso quarto e fomos para o jardim da frente. Chovia torrencialmente. Talvez os deuses do céu também estivessem chorando por nós.

Quando todo mundo estava lá embaixo no jardim da frente, nós verificamos entre nós e descobrimos que a jovem irmã Cong Nghiem não estava conosco. Ela teve um acidente recentemente e não conseguia se mover. Nós implorávamos aos tios [os homens atacantes] que nos permitissem retornar e carregá-la lá pra baixo. Todas nós ficamos muito comovidas olhando nossa irmã mais velha carregando nossa irmã mais nova nas costas. Quanto mais olhávamos, mais sentíamos dó também dos tios. Teve um tio com cerca de 50 anos, que vestia um capacete e andava como um manco. Enquanto ele estava estraçalhando as janelas, cortou-se e estava sangrando muito. Nós corremos até o armário dos primeiros socorros, que estava completamente destruído. Tivemos sorte de encontrar algumas bolas de algodão, gaze e álcool para limpar e cobrir a ferida dele. Olhando dentro dos olhos dele, eu vi que ele estava profundamente comovido; ele compreendeu que nós não o odiávamos, mas pelo contrário, cuidávamos dele de todo o coração. A verdade é que durante este tempo, dentro de mim, não havia alguém para amar ou alguém para odiar. Eu não pensava sobre o que eles tinham feito a nós. Tinha somente aquela pessoa que precisava da nossa ajuda. Depois de cobrirmos a ferida dele, ele baixou a cabeça e nos agradeceu e ficou quietinho num canto, olhando-nos ali em pé próximas uma das outras debaixo da chuva e da tempestade. Ele parou de ser violento. Depois eu o vi partindo calmamente. Naquele momento, todos nós estávamos juntos e a salvos. Ninguém estava preso por dentro. Sentimo-nos tão felizes ao compreender que amávamos uns aos outros, e que poderíamos sacrificar nossas vidas uns pelos outros, pelos nossos ideais, e por este caminho de compreensão e amor.

Por volta das 11h da manhã, cerca de 100 mulheres e homens desceram até o alojamento das irmãs. Todas as vezes que viam um monge, eles pulavam, rasgavam as roupas dele e batiam nele. Quando tentávamos proteger nossos irmãos e irmãs, sofríamos o mesmo destino – eles nos derrubavam; as mulheres usavam sombrinhas e rochas para bater e chutar as nossas mãos e costas. Algumas até mesmo nos esbofetearam no rosto. Mas nós só sabíamos agüentar ou nos esquivar. Não fizemos nada mais. Enquanto tudo aquilo acontecia a nós, não derramamos uma gota de lágrima, chorando ou se lamentando. Somente sentíamos que nossa sociedade hoje em dia está cheia de violência, ódio e medo. Por causa disto, precisávamos proteger e salvaguardar nossos ideais, trazendo compreensão e amor à humanidade. Dói eu ver que a nação vietnamita, amorosa, gentil e étnica – que os quatro mil anos de história pelos quais o Vietnã foi elogiado, agora se perderam nas mãos do povo vietnamita. A dor, a vergonha, é grande demais. Tudo bem o espancamento e desalojamento, porque sendo monges e monjas, nós não temos propriedades para nos apegarmos. A única coisa que nos dói é que a dignidade e humanidade de nossa sociedade tenham sido rebaixadas a um nível tão baixo. Eu pensei para mim mesma: O quão feliz eu me sentia lendo a história daqueles das dinastias Ly e Tran antes de mim! Temos o direito de elevar nossas cabeças e sentir orgulho nacional. No entanto, nossos filhos e as futuras gerações, quando relembrarem os eventos em Bát Nhã, terão que baixar a cabeça com vergonha. O tempo apagará todos os vestígios físicos, mas as feridas dentro do coração, a vergonha, o ódio, o medo, e a violência serão transmitidas para sempre. Com uma transmissão como estas, a ética de nossa sociedade não poderá fazer outra coisa senão declinar vertiginosamente. O quão lamentável seria isso! Por causa disso, nós, irmãos e irmãs, falamos a partir dos nossos corações; não podemos plantar e espalhar mais sementes negativas como essas. Temos que aguar esta terra árida e espinhosa da mente humana com as gotas do néctar benfazejo, para que possamos reviver as flores da compreensão, amor, inclusão e eqüidade. Somente por isso nós – que estamos carregando em nossos corações o grande amor, o grande voto – estamos determinados a não permitir que estas sementes prejudiciais se desenvolvam mais no coração de nosso povo. Nós amamos o som da frase  “minha terra natal” [pátria, em inglês, “motherland”, traduz literalmente por terra-mãe]. Amamos o povo vietnamita. Mesmo que eles nos acusem como traidores, mesmo que eles nos batam, nós nunca quereríamos que acontecesse de os pintinhos de uma mesma galinha atacar e machucar uns aos outros.  Então, desde o momento em que fomos forçados a sair para a rua e ficar em pé na chuva, aceitando acusações e pancadarias, suportando as águas sujas arremessadas em nossas faces, nós continuamos de pé próximas umas das outras e protegendo uma à outra. Embora tenhamos sido acossadas, espancadas, puxadas e empurradas, não abandonaríamos umas as outras.

Às 17h daquele dia, fomos forçadas para fora do portão do alojamento Nuvem da Montanha. Foi doloroso para nós ver que não poderíamos proteger nossos irmãos mais velhos Pháp Hoi e Pháp Sy da violência dos tios. Nós os olhávamos sendo levados com profunda dor. Eles tentaram nos afugentar, mas nós todas ficamos em pé silenciosamente sob a chuva. Estávamos com frio e fome. Somente quando o tempo escureceu lá fora, nós calmamente andamos para o alojamento “Coração Cálido” de nossas irmãs. Ficamos comovidas com a maneira como elas nos cumprimentaram e nos receberam. Elas foram capazes de acender duas lareiras, para que pudéssemos nos aquecer. Então elas cozinharam talharim para nós comermos. Todo mundo sentia um ardor nos olhos. Era da fumaça ou do amor um pelo outro? Naquela noite, o alojamento “Coração Cálido” foi deixado temporariamente em paz. Nós sentamos próximas umas das outras e olhávamos umas para as outras cuidadosamente por muito tempo. Sabíamos que seria difícil para nós estarmos unidas daquele jeito novamente. Mesmo estando cansada, eu não consegui dormir. Assim que eu me deitei, a imagem de Thây Pháp Hoi e dos outros irmãos sendo levados surgia em minha mente. Eu temia que aquela tivesse sido a última imagem e a última vez que eu pudesse vê-lo. Se isto fosse verdade, nós então apreciaríamos ainda mais profundamente o silencioso sacrifício dele. Afirmaria ainda mais nossa confiança em nosso caminho de prática. “Repouse seguro, querido Irmão mais velho. Você está presente em nós. Você nos transmitiu a sua tranqüilidade, sua calma e sua solidez nestes momentos. Nós nunca o perderemos”. Naquela noite, a chuva e a tempestade continuavam fortes. Eu sentei e olhei em volta do nosso quarto, o dormitório “Phuong Vy 2”. Vendo minhas irmãs dormindo, meu coração movia-se como ondas de amor. Se o meu sacrifício trouxesse paz a elas de forma que elas pudessem viver e praticar, eu o faria. O medo no meu coração deu lugar a um amor poderoso. Dois córregos de lágrimas corriam e corriam. Estas foram as primeiras lágrimas derramadas desde os acontecimentos em Bát Nhã até agora. Estas gotas de lágrimas vieram de uma fonte de amor ilimitada.

Às cinco da manhã seguinte, nós fomos para o ônibus, uma por uma, para irmos ao templo Phuoc Hue. Eu estava na segunda viagem. Olhando os rostos de minhas irmãs – tão jovens e inocentes e puras – meu coração sacudia com uma dor lancinante. Começamos a cantar “Aqui está nossa amada Bat Nha”. Nós só tínhamos começado a cantar e os olhos de todos se tornaram vermelhos e cheios de lágrimas. Quando chegamos à parte “Aqui está nossa amada Bat Nha, com aqueles que carregamos em nossos corações o Grande Voto de viver juntos e construir a Terra Pura bem aqui...” não conseguíamos continuar a cantar. Somente chorávamos. O motorista nos viu, e ele também ficou comovido e chorou.

Nunca tínhamos apreciado tanto cada momento juntas antes. Para podermos ficar juntas, estávamos determinados a suportar qualquer quantidade de pobreza, dor e sofrimento. Somente cinco minutos se passaram em tristeza profunda; então nós continuamos a cantar nossas canções de prática. Cantávamos e cantávamos até que o ônibus parou em frente ao templo Phuoc Hue. A partir daquele momento em diante, nossa vida passou para uma nova página, não menos bonita ou majestosa.

Tudo o que quero é praticar minha fé

Carta de uma noviça aspirante do mosteiro Bát Nhã 

Sou uma moça que nasci e cresci numa cidadezinha costeira do Vietnã durante os tempos de paz. Embora o Vietnã seja pequeno e mais pobre do que outros países desenvolvidos no mundo, eu me orgulho de ser uma cidadã desta nação singular. Eu aprecio a beleza despretensiosa, a rica cultura, o seu antigo espírito e mesmo a sua tumultuosa história que o Budismo Zen partilha desde o nascimento desta nação, dos primeiros dias das dinastias Ly e Tran. Sinto que o meu amor pelo Vietnã é tão natural para mim quanto a minha devoção pelo Budismo. 

Deixar todas as ambições mundanas para trás para ser uma monja noviça, fazer tarefas diárias modestas, varrer e esfregar, aprender a viver a fé Budista, não significa que eu tenha desistido de minha vida ou do meu país – muito pelo contrário. Eu me juntei ao mosteiro não como uma tentativa mal orientada de fugir do mundo, mas de dedicar minha vida a servir a humanidade. Eu desejo seguir nossos ancestrais budistas e praticar a verdadeira fé de amar os meus compatriotas camponeses. Eu aspiro me tornar uma monja budista que se casa com a não-violência (nenhuma luta, nenhuma matança, nenhum roubo, nenhuma fornicação, nenhuma mentira, nenhuma droga ilícita/álcool, nenhum divertimento degradante) e ajudar a diminuir os males de nossa sociedade. O ensinamento do mosteiro Bat Nha reforça a autoconsciência e responsabilidade para com os outros; nós passamos a compreender como os sacrifícios de gerações anteriores pavimentaram o caminho à liberdade para nós, e a apreciar inteiramente o esplendor simples de nossa cultura para que nunca nos sintamos inferiores em comparação aos espalhafatosos espetáculos estrangeiros. 

Ao lado das companheiras noviças eu aprendo a viver modestamente, a cultivar um coração gentil e aberto para um amor maior. Ser capaz de praticar abertamente minha religião pacífica também fomenta paz e bem estar entre os membros da minha família e comunidade. 

Minha vida no mosteiro está destituída de confortos modernos como televisão ou telefone. Eu não tenho dinheiro ou conta bancária; abandonando ganhos sociais privados eu partilho a vida comunal rústica do trabalho árduo, refeições leves, e vestes simples. No entanto eu me sinto em paz e muito mais contente do que antes de me unir ao mosteiro. Esta paz vem de não desejar ser alguém diferente do que sou; não querer mais do que eu já tenho, e ser verdadeira comigo e com os outros. Amando a todos e, no entanto, sem dever a ninguém, estou livre dos apegos comuns que levam a preocupação e medo. 

Rememorando o meu lar secular de antes, eu me lembro que havia muito afeto na minha família, mas não conseguíamos deixar de ferir uns aos outros por causa dos nossos egos interesseiros. O mesmo cenário se repetia na comunidade como um todo, composta por injustiças sociais com pobreza miserável ao lado de riqueza e corrupção obscenas. Ricos e pobres indistintamente buscavam alívio de suas misérias em remédios psiquiátricos, drogas ilícitas e divertimentos que entorpecem a alma, conduzidos pelo estresse inexorável às doenças mentais, suicídios, prisões... eu sofria por causa das misérias humanas à minha volta e dentro de mim, sabendo que os meios materiais não conduziam a felicidade real mas não sabendo como me libertar dos ciclos destrutivos de julgar e culpar. A minha persistente busca por uma melhor maneira de viver, primeiro através de livros e experiências pessoais, depois através do discernimento espiritual, levou-me a Bát Nhã. Aqui eu finalmente encontrei o meu lar espiritual onde eu podia viver no caminho do amor. Aqui estou aprendendo a respirar, viver, jogar e trabalhar junto com mais de trezentos parentes espirituais; em pouco tempo eu transformei carne e osso em uma nova pessoa mais benevolente e feliz! Bat Nha se tornou o meu segundo lar, e nenhum tipo de dificuldade pode me afugentar daqui. 

Sem eletricidade, sem água, sem comida – sem problema! Eu nem mesmo me importo com os impiedosos alto-falantes cuspindo acusações venenosas dia e noite em nossos ouvidos. Esta tortura é uma chance para nós praticarmos amor e não-violência dirigidos as pessoas que infelizmente estão propensas a violência e são desamáveis. Ao prover oportunidades tremendas de aprendizado da paciência, aceitação e profunda apreciação pela vida no momento presente, estes difíceis desafios nos ajudam a desenraizar ansiedades escondidas e nos transformar a partir de dentro. Não importa o quão severas sejam as minhas circunstâncias externas, eu sou grata a todos e não guardo ressentimentos. 

O mosteiro Bát Nhã é uma comunidade de fé pacífica. Através da compreensão e amor nós objetivamos nos transformar e contribuir para o melhoramento de nossa sociedade. Nós pedimos somente liberdade para praticar nossa fé! Por que o governo estimula a destruição de nosso lar? Por que nós cidadãos da lei fomos sujeitos a despejos violentos e a cruéis pancadarias? Por favor, não nos forcem a abandonar o nosso lar religioso e treinamento! Por favor, não separem os nossos irmãos e irmãs! Tudo o que queremos é praticar a nossa religião em paz! 

Tam Thuong 
Monja Noviça [aspirante à vida monástica]

Personalidades ilustres do Vietnã ousam protestar

“Está chocando o mundo, e prejudicando a imagem do Vietnã”, protestam dezenas de líderes no Vietnã contra as sanções severas aos monges e monjas do mosteiro Bat Nha. Numa inédita carta aberta ao Governo, difundida através da BBC, Voz da América, Rádio Internacional da França e importantes blogs e web sites, eles ousaram se pronunciar em apoio aos monges e monjas, e contra o encobrimento da verdade pelo governo. 


O que é muito impressionante, dizem eles, é que todo o sistema oficial de comunicação do Vietnã tenha, ao que parece, ignorado durante todo o tempo tudo o que está acontecendo no Mosteiro Bat Nha. Líderes intelectuais, cientistas influentes, e renomadas figuras do Partido Comunista todos assinaram a carta ao Presidente, Primeiro Ministro e Parlamento.


Os jovens monges, monjas e aspirantes estão “em perigo desesperado”, dizem eles, visto que as autoridades locais deram ordens para que eles fossem atacados e expulsos à força “por razões muito vagas”.


Eles estão profundamente preocupados com o fato das ações terem sido visivelmente ilegais e aconteceram na presença de muitos policiais da região presentes no cenário; e que todos os clamores das vítimas do ataque por ajuda às autoridades provincial e distrital foram ignorados.


Eles solicitam investigação imediata de acordo com a lei do Vietnã; a proteção dos direitos básicos de monges e monjas enquanto cidadãos vietnamitas; e que seja suspensa a ordem de aferição da mídia nacional proibindo reportagens livres e transparentes dos ataques.


LEIA O TEXTO COMPLETO DA CARTA ABERTA ABAIXO – ou em vietnamita na Radio France International


Hoàng Hưng – Petição para resolver o incidente que aterrorizou o Mosteiro Bát Nha


Data: 5 de outubro de 2009, 21h: 41m
Autor: Hoàng Hưng
Departmento: Governo – Sociedade, Religião.

Assunto: Incidente em Bát Nhã


DESTINATÁRIO:


Respeitosamente endereçado a todos aqueles que tomam conta do destino dos quatrocentos jovens monges e monjas e aspirantes moradores do Mosteiro Bát Nhã, Lâm Dng, Vietnã.


Por iniciativa de vários amigos, no dia 5 de outubro de 2009, uma petição que trata do incidente do ataque ao Mosteiro Bát Nhã foi enviada ao gabinete do Presidente da República Socialista do Vietnã, ao gabinete do Primeiro Ministro da República Socialista do Vietnã, e ao gabinete do Parlamento da República Socialista do Vietnã. Entre as primeiras 67 assinaturas desta petição estão assinaturas de muitos líderes acadêmicos, artistas e autores de jornais muito conhecidos dentro e fora do país.


Para assegurar a rápida transmissão do conteúdo desta carta ao Presidente, Primeiro Ministro e Líder do Parlamento, além dos canais oficiais nós também pedimos respeitosamente à web site Bauxitevietnam, ao blog Talawas, ao fórum Din Đàn, e canais de notícias do BBC, RFI, RFA que o disseminassem.


Nós ainda continuamos a receber assinaturas adicionais para esta petição para juntar à petição que já enviamos aos líderes do Vietnã. Nós podemos ser contatados através deste emaill: thinhnguyenbatnha@gmail.com .


Nós respeitosamente agradecemos a cada um e a todos pela atenção a esta petição e ansiosamente esperamos o vosso apoio.


Em nome de todos os que assinaram primeiro,


Hoàng Hưng
 
PETIÇÃO


Respeitosamente, à


Sua Excelência Nguyn Minh Triết, Presidente da República Socialista do Vietnã
Sua Excelência Nguyn Phú Trng, Presidente do Parlamento  da República Socialista do Vietnã
Sua Excelência Nguyn Tn Dũng, Primeiro Ministro do Governo da República Socialista do Vietnã
 

Nós os signatários somos cidadãos vietnamitas de dentro e fora do Vietnã. Nós respeitosamente enviamos esta petição à Vossas Excelências para pedir que intervenham numa situação que está extremamente urgente, relacionada ao destino de 400 jovens monges e monjas e aspirantes budistas que estão sob um perigo desesperador no distrito de Bo Lc, província de Lâm Đng.


Através da mídia internacional e alguns web sites, viemos saber: 400 jovens monges e monjas budistas e aspirantes que tiveram a permissão do governo para estudar e praticar no Mosteiro Bát Nhã, Vilarejo Dambrini, distrito Bo Lc, província Lâm Đng desde 2006, receberam ordens das autoridades locais para serem expulsos do mosteiro por razões muito vagas. No final de junho de 2009 houve um incidente violento, quando centenas de pessoas desconhecidas usando objetos perigosos atacaram e saquearam o Mosteiro Bát Nhã e assaltaram os monges e monjas. No dia 29 de junho de 2009 este grupo desconhecido atacou e feriu e jogou excrementos em um grupo da Associação Vietnamita Budista (VBA) da província de Lâm Dông que tinham ido avaliar a situação no mosteiro. Nos últimos três meses estes monges e monjas e jovens aspirantes moradores do mosteiro sofreram transtornos e foram atormentados. Por exemplo: foi cortado o suprimento de água e eletricidade, o abastecimento de alimentos foi bloqueado, eles foram ameaçados e intimidados, o local de prática religiosa e moradia, atacados, objetos sagrados, roubados. Finalmente, no dia 27 de setembro de 2009, centenas de pessoas desconhecidas invadiram o mosteiro e assaltaram os monges e monjas e jovens aspirantes, usando força para retirá-los do mosteiro.


O ponto chave, que é mais preocupante em tudo isto, é que as ações foram visivelmente ilegais e aconteceram na presença de muitos policiais locais presentes à cena; e que todos os pedidos de ajuda das vítimas do ataque foram ignorados pelas autoridades do distrito e província. No dia 30 de junho de 2009, o VBA da província de Lâm Đng informou sobre o assalto à sanga e enviou um pedido urgente a todos os níveis e setores de autoridade, mas até a presente data ainda não há resolução.


No momento, depois da evacuação dos monges, monjas e aspirantes monásticos eles foram se refugiar temporariamente no templo Phuóc Huê, distrito de Báo Lôc, e um número imenso de forças policiais estão cercando o templo Phuóc Huê e expulsando estes monges e monjas e aspirantes do templo, forçando-os a se dispersarem e voltarem a suas cidades de origem.


O que é tão extraordinário é que todo o sistema oficial de comunicação do Vietnã parece ter ignorado o tempo inteiro tudo o que está acontecendo no Mosteiro Bát Nhã.


Nós vemos que esta situação instável continuada do Mosteiro Bát Nhã está prejudicando severamente a saúde física e mental destes 400 monges e monjas, a maioria dos quais jovens – e o próprio futuro do país. Está chocando o mundo e prejudicando a imagem do Vietnã – um país que respeita o direito de liberdade de crença, e protege a segurança e dignidade das pessoas, e que tem um código de leis rigoroso. Para proteger os direitos legítimos de todos os cidadãos da República Socialista do Vietnã, elevar o modelo da lei, e remover este obstáculo à grande união do povo, nesta situação de urgência que ameaça o país tanto internamente quanto internacionalmente, nós sinceramente requeremos a Vossas Excelências:


Determinar a formação de um comitê para investigar, em todos os níveis de governo, os incidentes do Mosteiro Bát Nhã, em trabalho conjunto com vários acadêmicos independentes. Ao término das investigações, por favor, divulguem os resultados, e incriminem cada pessoa e cada ato ilegal devidamente de acordo com a lei.


Que, enquanto se espera o término das investigações, medidas sejam tomadas para proteger a segurança dos jovens monges e monjas e aspirantes, e assegurar que eles tenham condições de conduzir as vidas deles em paz.


Entregar aos cuidados da VBA a responsabilidade de organizar a prática destes jovens monges e monjas e aspirantes do Mosteiro Bát Nhã, de maneira equânime, atenciosa e sensata, de acordo com as aspirações deles e com as leis e regras do VBA e do Vietnã.


Encorajar a mídia para divulgar corretamente e informar a verdade as pessoas sobre o que aconteceu e está acontecendo neste incidente do mosteiro Bát Nhã.


Esperando respeitosamente que Vossas Excelências considerem urgentemente esta petição e executem nosso pedido, despedimo-nos de Vossas Excelências.


Sinceramente,
 
Os signatários, (às 10h, do dia 5 de outubro de 2009)