domingo, 15 de novembro de 2009

Petição dirigida à ASEAN – Contra a violência no Mosteiro Bát Nhã

Alvo: ASEAN Comissão Intergovernamental dos Direitos Humanos Remetente: Comunidades de Prática da Plena Consciência da Austrália. Prezados amigos, Nossos irmãos e irmãs na Austrália e Nova Zelândia formularam esta nova petição dirigida à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Por favor, ajude-os assinando esta petição e passando a informação para os seus amigos (Twitter, Facebook, Blogs, etc.). Texto da petição: O Vietnã assumirá a Presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em 2010. Para ser membro desta organização, espera-se que os países-membro cumpram com os princípios fundamentais da ASEAN que foram expostos nesta carta aberta: Promover paz e identidade regional, decisões pacíficas das disputas através do diálogo e troca de idéias e renúncia de agressão. Apoiar a lei internacional com respeito aos direitos humanos, justiça social e comércio multilátero. Acordar diferenças ou disputas através de meios pacíficos (1976) O Mosteiro de Bát Nhã, na província de Lam Dong, foi atacado e destruído, e agressão e violência foram utilizadas para desempossar 400 pacíficas monjas e monges. Isto está em contradição com a lei internacional. Ignora os direitos humanos e justiça social declaradas como um dos princípios da ASEAN. Embora o Vietnã negue intervenção nas “disputas internas ou locais”, a não intervenção governamental reflete o estado atual da ilegalidade e falta de liderança do país. Urgimos ao Governo Vietnamita que intervenha e assegure que o Mosteiro de Bát Nhã tenha a permissão de viver e praticar em paz como cidadãos vietnamitas cumpridores da lei. Clamamos ao atual Presidente da ASEAN, o Primeiro Ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, que reinicie uma reavaliação da nomeação do Vietnã para ocupar a Presidência 2010, tendo em vista a não intervenção do Governo Vietnamita nesta crise. Pedimos a influência da ASEAN que assegure assistência aos 400 monásticos. Eles estiveram sendo alvo simplesmente por praticarem suas crenças, e agora precisa de ajuda em termos de segurança e acomodação, liberdade de assédios e liberdade para praticarem a crença religiosa deles livres de perseguição. Temos fé que ASEAN tem o poder de reduzir a violência que está acontecendo neste exato momento e restaurar paz.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As autoridades de Bao Lôc continuam coagindo

Oito policiais estão coagindo os Irmãos e Irmãs que se refugiaram no templo Phuoc Huê, inspecionando todos os cantos do templo. Eles estiveram fazendo isso diversas vezes nestes últimos dias. Durante o dia inteiro, as autoridades da localidade de Bao Lôc também divulgaram anúncios através de alto-falantes com o objetivo pressionar monges e monjas praticantes da tradição de Plum Village. Entre os anúncios estavam:
1. Uma ordem para que o Venerável Duc Nhi não continue apoiando os seguidores de Plum Village;
2. O manifesto 429 ordenando a dispersão dos monges e monjas em dezembro, insistindo que eles voltem às suas províncias de origem;
3. O manifesto 7346 da Província de Lâm Dông, declarando ilegais as práticas dos monges e monjas que se refugiaram no templo Phuoc Huê;
4. Falsas informações sobre o Venerável Thich Nhat Hanh e os discípulos dele.
Fonte: http://helpbatnha.org/
Tradução por Tâm Vãn Lang

Orações para Bát Nha: um curta do irmão da sanga Velcrow Ripper

Queridos amigos,

Vamos continuar enviando a energia da nossa prática, nossa paz e calma aos irmãos e irmãs de Bát Nhã que continuam sob vigilância e sem uma solução clara para a situação deles. O irmão da sanga Velcrow Ripper fez um curta como forma de oração aos nossos monásticos de Bát Nhã. Clique aqui para assisti-lo.

Vamos enviar nossa energia também ao Abade do Templo Phuoc Hue e a Sanga dele, que compassivamente acolheram os nossos irmãos e irmãs para que se refugiassem lá; aos muitos amigos e pessoas que estão apoiando Bao Loc e corajosamente levando alimentos e ajudando na cozinha, levando as pessoas doentes ao hospital correndo risco de perseguições; e aos irmãos mais velhos Pháo Hoi, Pháp Sy e Pháp Tu, que estão impedidos de voltar à comunidade de jovens monges e monjas em Bát Nhã; e para todos os seres que ainda estão cobertos pela nuvem de incompreensão e suspeição.

“Amor nasce da compreensão – compreensão do sofrimento da outra pessoa, o sofrimento e aspiração profunda dela; e esta compreensão faz surgir o verdadeiro amor. Para compreender, temos que olhar e escutar profundamente”.


Fonte: http://helpbatnha.org/
Tradução por Tâm Vãn Lang

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

THE WALL STREET JOURNAL – 29 de outubro de 2009

Hanoi e os Monges

Acabem com a perseguição de um mosteiro budista

 Por Thich Chan Phap Dung

Uma imensa perseguição a um grupo de monges e monjas budistas está acontecendo no Vietnã. Os alvos são os membros da comunidade de Bát Nhã, seguidores do mestre Zen e militante da paz Thich Nhat Hanh. Os protestos públicos a estes acontecimentos dentro do país e no exterior estão transformando a situação numa dor de cabeça para Hanói. Mas não precisa ser assim.

No dia 27 de setembro, uma multidão desempossou violentamente 379 monges e monjas do mosteiro deles na montanha central. Pedidos de ajuda à polícia de caráter urgente foram ignorados, de acordo com os relatos que recebemos dos monges e monjas e das testemunhas presentes no local. Cerca de 130 monges foram atacados, quatro foram acossados sexualmente, e os prédios do mosteiro, saqueados. Muitas dúzias de monges foram levadas à força em veículos; o restante, forçado a marchar numa chuva torrencial mais de 15 km até a cidadezinha mais próxima. Mais de 200 monjas, barricadas em suas residências e ameaçadas pela multidão, fugiram na manhã seguinte.

Centenas de monges e monjas se reagruparam no dia seguinte no pequeno templo Phuoc Hue na cidadezinha de Bao Loc sob a proteção do abade Thich Thai Thuan. Mas os policiais dos vilarejos destes monásticos tentaram dispersar a comunidade forçando monges e monjas a voltarem para os seus lares através de intimidação, ameaças e repreensões públicas. Vinte e sete monges e monjas foram forçados a voltar para casa e muitos policiais ainda perambulam pela área.

O governo negou qualquer envolvimento dizendo que este episódio é apenas uma disputa entre duas facções budistas; mas a divulgação de um documento governamental contendo informações secretas, datado do ano passado, do Comitê de Assuntos Religiosos, menciona que a comunidade de Bát Nhã esteve organizando atividades “sem permissão” e expressou opinião sobre “questões políticas”. O documento sugere que o governo poderia eventualmente “forçar aqueles que criaram problemas a voltarem para suas cidades de origem”, e é isto que o governo está tentando fazer agora. Por “questões políticas” poder-se-ia entender os comentários feitos pelo Venerável Nhat Hanh sobre a política religiosa de Hanói. Hanói também pode estar temendo a popularidade de Nhat Hanh entre os intelectuais e jovens do Vietnã. Desde a sua fundação em 2005, Bát Nhã cresceu de uma pequena comunidade com apenas uns poucos monges da igreja budista sancionada pelo estado em um mosteiro alojando centenas de seguidores do Venerável Nhat Hanh. Os jovens monges e monjas, na faixa etária dos 15 aos 25, vieram de todos os setores da sociedade vietnamita. Todo mês, centenas e ocasionalmente milhares de vietnamitas revoavam para Bát Nhã para participarem de eventos especiais e retiros de meditação.

O retorno do Venerável Nhat Hanh depois de 39 anos de exílio foi um dos vários passos importantes que o Vietnã deu em direção à liberdade religiosa e uma sociedade mais aberta. Isto ajudou a pavimentar o caminho para a remoção do Vietnã da lista dos países com preocupação específica do Departamento do Estado dos EEUU devido violação de liberdade religiosa, e para a adesão do Vietnã à Organização do Comércio Mundial em 2007. A perseguição à Bát Nhã põe em questão estas realizações anteriores.

Neste ínterim, a repressão está inspirando os cidadãos vietnamitas comuns a protestarem. Num país onde opinar criticamente sobre o governo pode significar prisão, mais de 400 intelectuais, cientistas, membros do Partido Comunista e cidadãos comuns, dos quais 200 estão dentro do Vietnã, assinaram uma carta aberta, escrita pela escritora Hoang Hung datada 5 de outubro, dizendo que os acontecimentos em Bát Nhã e o prolongado assédio aos monásticos são uma “situação urgente que ameaça o país tanto internamente como internacionalmente”. Eles solicitam que o governo aja no sentido de investigar os ataques e assegurar o bem estar destes jovens monges e monjas.

O governo do Vietnã agora tem que responder. Eles irão dispersar uma pacífica organização budista, ou se mover no sentido de proteger integralmente a liberdade religiosa como requer o pacto e tratados internacionais dos quais o Vietnã é partícipe como, por exemplo, a Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, e como exigem os cidadãos vietnamitas? O Vietnã está atualmente servindo como presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Associação das Nações Unidas do Sudeste Asiático em 2010. Não há momento melhor para mostrar ao mundo sua liderança nestas importantes questões sobre direitos humanos.

Os monges e monjas ainda desejam voltar à sua morada do mosteiro Bát Nhã. Se isto não for possível, o governo, através de sua estabelecida Igreja Budista, poderia pelo menos reafirmar os direitos legais dos monges e monjas praticarem juntos enquanto uma comunidade religiosa em outro local. Estes jovens monges e monjas não querem outra coisa a não ser servir ao país deles e à humanidade, e são ótimos exemplos da verdadeira beleza e espírito determinado do povo vietnamita.

Nós clamamos à Hanói que aja agora para salvaguardar o bem estar dos monásticos de Bát Nhã e proporcionar direitos legais para que todos os budistas no Vietnã cultuem sem restrições. Tais ações podem mostrar que o progresso econômico pode ir de mãos dadas com o crescimento espiritual e pode somente aumentar a reputação do Vietnã mundialmente, e que o temor e suspeição que Hanói tem para com estes jovens monásticos são infundadas.

Irmão Dung é abade do Mosteiro Deer Park, Escondido, Califórnia, representando os centros de práticas de Thich Nhat Hanh nos Estados Unidos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O som mágico da cítara


Continuação da carta de Thich Nhat Nanh aos seus discípulos de Bát Nhã



Escrita em vietnamita e traduzida para o inglês
Postada sábado 17 de outubro de 2009 no http://helpbatnha.org


Thây está continuando a escrever uma carta para vocês do seu eremitério Thach Lang, no Mosteiro Blue Cliff. Hoje são 13 de outubro de 2009. Thây acabou de chegar de Nova Iorque. Em Nova Iorque, Thây e a Sanga guiaram dois dias de prática para mais de 2000 praticantes americanos no nordeste dos EEUU. Isto aconteceu no Teatro Beacon na Broadway Street; e o tópico foi “Construindo uma sociedade pacífica e compassiva” nestes dois dias de prática. Às 12h30m, do dia 10 de outubro de 2009, mais de duas mil pessoas fizeram meditação caminhando na Broadway para enviar energia aos “filhos e filhas de Thây em Bát Nhã, que estão residindo no templo Phuoc Hue.

Thây relembra que durante sua estada em Phuoc Hue, ele morou com dois irmãos monásticos: Thây Tam Cat e Thây Duc Tram, que tinham mais ou menos a mesma idade que Thây. Nos anos 1940, nós três tínhamos estudado juntos no Instituto Budista Bao Quoc em Hue. O nome laico de Thây Tam Cat era Huyen Ton Vien Lau. Thây Duc Tram era um dos discípulos mais velhos do Mais Venerável Tri Thu do Templo Paramita. Nós três vivíamos em Phuoc Hue e dirigíamos as práticas dos amigos leigos. Todo dia ao anoitecer, nós saíamos para um grande campo atrás do templo para jogar futebol. Naquele tempo, ninguém do círculo monástico sabia jogar futebol. O Mais Venerável Thien Minh (Thây Tri Nghiem) era jovem naquela época, com uns 25 anos de idade e foi o primeiro monge a jogar futebol junto com os noviços no Templo Linh Son em Da Lat. Depois de alguns anos, outros monges como Thây Nhu Tram, Tri Khong, Long Nguyet e vários outros alunos monásticos do Instituto Budista Na Quang também vieram para Phuoc Hue para estudar e praticar com Thây. No Templo Phuoc Hue, Thây também organizou aulas para crianças do primeiro e segundo graus do vilarejo. O seu irmão mais velho, Nhat Tri, foi ordenado neste templo. E naquele mesmo dia, outra criança teve sua cabeça raspada e recebeu os três preceitos (equivalente ao primeiro, segundo e quarto dos Cinco Treinamentos da Consciência Plena). Ele só recebeu os três preceitos porque era muito jovem – tinha apenas seis ou sete anos de idade. Este garotinho depois se tornou o Mais Venerável Nguyen Hanh, que hoje é o Abade do Templo Viet Nam em Houston, que é hoje um dos maiores templos dos Estados Unidos.

A caligrafia do irmão mais velho de Nhat Tri era exatamente como a de Thây; e semelhante a da sua irmã mais velha Luong Nghiem, quando ela escreve caligraficamente - a escrita dela também se assemelha muito a de Thây. O seu irmão Nhat Tri foi um dos pioneiros do movimento do Serviço Social dos Jovens. Ele ajudou a construir os dois primeiros Vilarejos de Amor deste movimento – os vilarejos Cau Kinh e Thao Dien. Foi o Mais Venerável Chau Duc quem trouxe o seu irmão mais velho de Quang Nam para entregá-lo aos cuidados de Thây. Os alunos daquelas escolas de primeiro e segundo graus do distrito de Bao Loc estão hoje na casa dos sessenta e setenta anos de idade; a maioria já são avós e avôs. Sorriam meus filhos e filhas! Vocês ainda são muito jovens. Então aprendam a viver profundamente no momento presente e sorriam; um sorriso sincero e cheio de frescor; e olhem com olhos gentis e brilhantes. Aprendam a amar e a perdoar exatamente agora no momento presente, e a gerar momentos de felicidade com a prática da consciência plena, para que vocês não se tornem os velhos veneráveis tão rapidamente. O monge bisavó de vocês, o patriarca Thanh Quy Chan That, foi capaz de manter a inocência e mente pura dele até os seus 80 anos, porque foi capaz de manter inteira a Mente de Iniciante dele. O seu tio monge Chi Mau relembra que nos últimos momentos de vida do monge bisavô, ele se deitou na postura do leão com as duas mãos unidas em um lótus. Nós professores e discípulos queremos praticar como o monge bisavô, mantendo nossa aspiração e Mente de Iniciante intacta por toda vida. A energia da Mente de Iniciante trás muita felicidade para nós e para as pessoas que amamos. A Mente de Iniciante é o nutriente mais valioso para um praticante espiritual.

Nesta turnê norte americano, Thây, enquanto ensinava sobre os Quatro Nutrientes, abordou primeiramente a volição, como um tipo de alimento, depois a consciência, em seguida as impressões sensoriais, e por último os alimentos comestíveis. A abordagem deste ensinamento foi usada por Thây primeiro no retiro monástico do Mosteiro Deer Park. Thây espera que todos vocês em todos os lugares tenham chance de ouvir estas três palestras de Darma deste retiro monástico. A Mente de Iniciante é também chamada Bodhicitta ou Mente de Amor, que é o nutriente essencial para todos nós. Ela pertence à primeira fonte de nutriente – volição. Geralmente na sociedade, as pessoas se referem a ela como um ideal, a aspiração, ou desejo mais profundo na vida de uma pessoa. Com este ideal de amor em mente, instantaneamente temos uma grande fonte de energia que nos ajuda a progredir, superando todos os obstáculos, realizando nossos desejos mais profundos e atingindo a grande felicidade. Uma pessoa sem um ideal ou uma aspiração é alguém sem uma fonte de vida. Para praticantes monásticos, aquele ideal é transformar nosso próprio sofrimento e ajudar também a transformação dos outros. Nós estamos juntos por causa deste ideal e não porque buscamos fama, poder ou prazeres sensoriais. Como sabemos que o desejo por fama, poder e prazeres sensoriais podem trazer muito perigo e sofrimento ao corpo e à mente, nós nos determinamos a nos libertar destes desejos e a encontrar um desejo mais benéfico – e este desejo é a nossa Mente de Amor. A Mente de Amor é muito forte quando ela nos habita pela primeira vez. Ela nos ajuda a romper e soltar todas as nossas dependências muito facilmente. Durante a vida inteira enquanto praticantes, devemos saber como nutrir esta mente e não permitir que ela se desgaste.

Por isso, devemos ter uma segunda fonte de nutrição: a consciência – que é a consciência coletiva da Sanga. A Sanga é uma comunidade de pessoas com a mesma aspiração. Todos numa Sanga têm a energia da Mente de Amor; todos querem praticar para se transformarem e contribuir na carreira de servir a humanidade. Enquanto vive harmoniosamente juntos de acordo com as Seis Harmonias, a Sanga é capaz de gerar a energia coletiva da consciência plena, concentração e insight. É esta energia que ajuda a nutrir a Mente de Amor em cada membro da Sanga. Se vocês, meus discípulos amam a Sanga, não querem se separar da Sanga, e quer encontrar meios de construir uma Sanga, é porque vocês têm a necessidade de serem nutridos por esta energia coletiva. Por isso, quando eles tentam dispersar a Sanga, vocês têm se esforçado ao máximo para proteger a Sanga e não permitir que a Sanga seja dissolvida.

Na sociedade, os revolucionários também têm suas Mentes de Amor. Eles têm os ideais deles, a aspiração de salvarem sua terra natal, o povo deles; de expulsar os invasores e lutar pela independência do país deles. A volição dos revolucionários não é nem um pouco menos impressionante do que a Mente de Amor dos monásticos. E estes revolucionários também precisam de uma Sanga para nutrir a aspiração deles, e esta Sanga é a organização revolucionária deles. Se dentro de uma Sanga nós temos amor e irmandade, na organização revolucionária existe amor e camaradagem. Este amor de camaradagem é a fonte de alimento, de motivação que consegue nutrir a força de vontade e diligência dos revolucionários.

Construir uma organização revolucionária requer uma ética revolucionária: integridade e honestidade são duas virtudes básicas de uma organização revolucionária; exatamente como nos preceitos monásticos, onde a concentração e o discernimento constituem a verdadeira essência de uma sanga. Se não praticarmos os preceitos e maneiras conscientes e não praticarmos a consciência plena, não podemos nutrir a energia da sanga. Se os revolucionários não praticam integridade e honestidade, eles não conseguem nutrir a organização revolucionária; e o fogo da revolução se extinguirá. Esta regra também se aplica à sanga. Sem a prática de viver harmoniosamente juntos com a energia da consciência plena, concentração e discernimento, a sanga também morrerá. Externamente, pode parecer como uma comunidade de prática, mas internamente, só está composta de indivíduos que estão buscando por confortos materiais e emocionais para satisfazer uma vida sem significado.

A Igreja Budista é a sanga de todas as sangas. Se a Igreja Budista está constituída de sangas com forças-vitais e com idéias nascidos da Mente de Amor, a energia da Igreja Budista será poderosa e a Igreja Budista se tornará uma fonte de nutrição tanto para os monásticos quanto para os praticantes leigos. Caso contrário, a Igreja Budista apenas será um lugar aonde as pessoas vêm buscar lucros e status. Se o fogo sagrado da revolução se extingue, os estabelecimentos políticos deixam de ter força-vital, e aquelas pessoas que querem se unir deixa de ser àquelas repletas do ideal e aspiração de salvar o país e o seu povo; e passa a ser pessoas meramente buscando posições e benefícios.

Quando os padres católicos de “Dòng Chúa Cúu Thê” falaram abertamente para proteger a sanga de Bát Nhã, Thây viu que esta tradição de prática ainda é capaz de manter a vida da comunidade deles, e por isso tiveram força heróica suficiente para falar abertamente daquela maneira. Quando o Conselho Administrativo da Igreja Budista da província de Lam Dong falou abertamente para oferecer refúgio e proteger a Sanga de Bát Nhã, Thây viu que o Conselho Administrativo ainda é capaz de manter viva a sanga deles, e por isso tiveram coragem e amor suficientes para fazer isto. Se estes Veneráveis falaram abertamente para abrigar e proteger vocês, é porque a sanga de Bát Nhã ainda é uma sanga nutrida pela Mente de Amor; com ninguém correndo atrás de fama, pode e prazeres sensuais; com todos querendo apenas praticar e servir.

Em Abril deste ano, no Instituto Europeu de Budismo Aplicado na Alemanha, Thây deu uma rápida palestra sobre a sanga e o estabelecimento; que é importante ter primeiro a presença de uma linda sanga, o estabelecimento é secundário. Somente quando nós temos um pêssego verdadeiramente bonito, é que nós procuramos um prato ou bandeja para colocá-lo. Sem o pêssego, prá que serviriam o prato ou a bandeja? Se não tivermos esta terra Bát Nhã, haverá outra Bát Nhã noutro lugar. O que é mais importante é construir uma linda sanga.

A primeira coisa que Buda fez depois de ter alcançado a iluminação sob a árvore Bodhi foi procurar seus amigos praticantes para construir uma sanga. Construir sanga é a carreira de Budas, e também é a carreira de qualquer praticante espiritual. Este também é o caso dos membros da revolução, que querem construir um partido revolucionário. Sem a sanga, a carreira de um (a) Buda não pode se realizar. Sem a organização revolucionária, a carreira do revolucionário também não pode ser alcançada. Nos últimos sessenta anos, o professor de vocês nunca negligenciou a prática de construir sanga. Thây tem ajudado na construção de milhares de sangas em várias partes do mundo, e cada sanga se tornou um lugar de refúgio para muitos praticantes daquele local. Dr. Martin Luther King foi alguém que Thây se sentia muito próximo, e ele falava sobre a sanga como “queridas comunidades”, querendo dizer “sanga querida”. A sanga de Bát Nha também é uma dessas “sangas amadas”.

Quando Thây ainda era um jovem monge durante a revolução contra a França, Thây tinha encontrado meios de proteger os revolucionários quando eles estavam em perigo, procurando refúgio em templos. Esta era uma das coisas mais perigosas a serem feitas. Os soldados franceses poderiam atirar em nós porque ousávamos abrigar estes revolucionários. Thây Tri Thuyen, Thây Tam Thuong e muitos outros jovens monásticos da idade de Thây foram baleados por que fizeram este tipo de coisas. Milhares de revolucionários iam se esconder nos templos, e os monges e monjas sempre encontrava meios de abrigá-los e protegê-los. Todos faziam isto porque todos nós amávamos nosso país e a partir deste amor, queríamos proteger os soldados. Na última carta endereçada ao Presidente do Vietnã, datada 30 de setembro de 2009, Thây lembrou-lhe desta estória. Thây tem certeza que quando o Presidente ainda era um revolucionário juntamente com muitos outros soldados que hoje são veteranos da revolução, ele e os outros também atravessaram muitos momentos perigosos na vida; e eles não deveriam nunca se esquecer do apoio cerrado – assim como a água está para o peixe - entre o povo e os soldados daquela época.

Naquela mesma carta, dentro do mesmo espírito, Thây também escreveu que os policiais e àqueles que deram ordens para usar de todos os meios para despejá-los de Bát Nhã, “eles certamente não podem ser filhos da revolução”. As ações deles são ingratas, imorais e traiçoeiras; e não se coadunam com a verdadeira tradição revolucionária. Thây também requereu ao Presidente que interviesse e parasse estas ações que contradizem os princípios da revolução e são contra as virtudes e valores tradicionais da nossa terra-natal. Por que estes policiais se comportaram daquele jeito, usando meios tão violentos? Por que eles não conseguem continuar a integridade e honestidade da revolução? Porque eles não são filhos da revolução? Por que a corrupção e abuso de poder permeiam em todo lugar? Só há uma única resposta certa: o fogo da revolução se apagou. As virtudes da revolução não mais existem. A fonte de inspiração, que é o ideal da revolução, não mais existe.

Quando não conseguimos manter nossa Mente de Amor – nossa Bodhicitta – nós deixamos de ser “companheiro do caminho” uns para os outros ou “amigos de um caminho comum”; mesmo que possamos nos referir a nós mesmos como budistas ou discípulos de Buda. Quando as aspirações dos revolucionários deixam de existir, quando somos corroídos pela corrupção e abuso de poder, deixamos de ser “camaradas” uns dos outros. Quando temos nossas aspirações, nossa Mente de Amor, nossa irmandade, não precisamos mais procurar pela felicidade na direção do dinheiro, fama, poder e prazeres sensuais. Juntos, vivemos uma vida simples e mais saudável. Thây tem se sentado em meditação com vocês, comido em consciência plena com vocês, respirado com vocês e organizado retiros com vocês. Thây tem encontrado muita felicidade nestes momentos de vida comunitária. Os lutadores da revolução também eram assim. Eles viviam alegremente juntos porque eles partilhavam um ideal comum e eles eram capazes de abrir mão daquilo que traria dependência e restrições. Eles lutavam juntos lado a lado, tolerando juntos a tempestade e o vento, porque eles tinham a camaradagem e se mantinham aquecidos pelo fogo sagrado da revolução.

Falar deste jeito não significa dizer que hoje não possamos reacender o fogo da Mente de Amor que pode ter se apagado dentro de nós. Não significa que não podemos reacender o fogo sagrado da revolução que se extinguiu. Quando vocês entraram na Sanga, o fogo de sua Mente de Amor estava flamejando. Por isso muitos jovens monásticos, depois de terem lido o livro “Falando para os jovens monges e monjas” e terem feito contato com a Sanga, foram capazes de reacender suas Mentes de Amor. Por conseguinte, começamos a morar juntos genuinamente e alegremente porque o fogo da aspiração estava aceso brilhantemente dentro de nós. E assim a cada dia que passava, multidão de jovens chegava. Este influxo criou medo no coração das pessoas. Estas pessoas enviaram pessoas delas para se infiltrarem em nossas comunidades em Plum Village, Deer Park, Tu Hieu, Bát Nhã e em todo lugar; para ver o que estávamos realmente fazendo, e investigar como poderíamos atrair tantas pessoas jovens tão rapidamente.

Temos algum segredo? Não temos segredo algum! Se há tal segredo, este deve ser porque nós sabemos como viver verdadeiramente um com o outro em espírito de irmandade. Sabemos como abrir mão das buscas que podem nos trazer apego e dependência. Temos uma aspiração profunda de praticar, para ajudar os outros e servir todos os seres vivos. Vivemos cada momento com esta aspiração. Por isso, quando os jovens interagem conosco, os corações deles também se acendem com esta aspiração. Isto certamente pode ser realizado dentro de uma comunidade como também dentro de uma organização revolucionária. Somente se as pessoas viverem verdadeiramente umas com as outras, somente se puderem reacender o fogo do ideal revolucionário, somente se as pessoas tiverem a energia derivada de suas aspirações, a corrupção e o abuso de poder serão vencido. Então àqueles que se unem ao partido não mais serão exploradores e oportunistas.

Se àqueles que vêm nos investigar pudesse ver esta verdade, ambos os lados se beneficiariam. Poderíamos praticar em paz, e eles, aprenderem formas de reavivar a confiança e ideais deles. Infelizmente, estas pessoas não conseguem compreender tal verdade e, por conseguinte, suspeitam; e desta suspeição nasce o medo. Por causa deste medo elas usam meios antiéticos de dissolver uma comunidade de jovens que eles sentiram que não poderiam controlar. A verdade é – porque seria necessário controlar o cultivo de virtudes?

Uma vez, viveu um rei muito curioso para descobrir como uma cítara poderia produzir sons tão mágicos. Ele deu ordens de partir a cítara em pedaços para descobrir o seu segredo. Ela foi dividida em centena de partes, mas ele não conseguia encontrar a raiz do som mágico que ele tinha ouvido. Para saber o seu segredo, a pessoa teria que se sentar quietamente e observar cuidadosamente a cítara e a maneira como ela é tocada, não é a despedaçando. A Sanga também é como uma cítara. Participando dela e a observando cuidadosamente, a pessoa compreenderá o milagre da Sanga. Por que a pessoa teria que dividir a sanga em muitos pedaços enviando cada pessoa para casa? Ao fazer isto, a pessoa perde a oportunidade de aprender. Os veteranos da revolução e todos nós mantemos um pouco do fogo da revolução dentro de nossos corações, por causa da verdade exposta a partir da crise em Bát Nhã, todos nós temos a chance de olhar profundamente para reacender a chama maravilhosa que sempre esteve dentro de nós.

(Esta carta ainda continua. Depois Thây enviará mais pra vocês)

Viva lindamente cada dia!

Thây

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Caminhada pela paz em Paris



No domingo, 11 de outubro de 2009, vários monges e monjas de Plum Village e praticantes laicos da França, Alemanha, etc. organizaram uma meditação caminhando da sede da UNESCO até a Praça dos Direitos Humanos, Trocadero, Paris – na frente da Torre Eiffel para clamar por ajuda em apoio aos monges e monjas em Bao Loc, Vietnã, que estão enfrentando muitas dificuldades.


A meditação caminhando começou às 14h com a Irmã francesa Giác Nghiêm partilhando sobre a prática da meditação andando. Tinham mais de 500 pessoas participando do evento, cada uma delas segurava uma flor e tinha vindo andando pacificamente desde sede da UNESCO, passando por alguns parques e ruas principais na frente da Torre Eiffel, terminando na Praça dos Direitos Humanos, Trocadero. Depois disso, cada participante colocou no chão da Praça uma flor representando um monástico que está enfrentando dificuldades em Bao Loc. A meditação caminhando foi encerrada com uma sessão de meditação silenciosa e evocação do nome de Avalokiteshvara.

[Matéria postada originalmente em inglês no site de Plum Village]